O que 20 anos na saúde me ensinaram sobre o verdadeiro significado de um exame.
Hoje atendi um caso que mexeu profundamente comigo. Uma paciente de apenas 18 anos, recém-saída da UTI sob isolamento de contato por suspeita de leptospirose. O quadro era dramático: uma paralisia súbita nos membros superiores e inferiores levantava a suspeita de uma doença desmielinizante.
Ela chegou ao setor extremamente angustiada, dominada pelo medo da morte e pedindo para que eu segurasse sua mão. A sensação de impotência diante da perda de movimentos do próprio corpo é avassaladora.
O desafio técnico era enorme: realizar uma Ressonância Magnética de Neuroeixo com contraste (cobertura completa de cabeça/encéfalo e toda a coluna vertebral). Trata-se de um protocolo rigoroso, com duração de 1h a 1h30, fundamental para mapear esclerose, mielopatias e lesões neurológicas.
Executar um exame desse porte em um paciente instável requer muito mais do que apertar botões:
Exige atenção milimétrica ao tempo de jejum e ao manejo do quadro de dor do paciente;
Exige controle rigoroso das variáveis ambientais da sala (temperatura e umidade) e da temperatura corporal do paciente dentro da máquina;
Exige precisão absoluta nos parâmetros para que o tempo de aquisição não sacrifique o bem-estar de quem já está no limite.
Mas, para além da complexidade técnica, o grande aprendizado da jornada é outro.
Após duas décadas de atuação na saúde, reforço cada vez mais a minha convicção: a tecnologia mais avançada não substitui a empatia. A excelência no diagnóstico por imagem vai muito além do contraste ou da resolução espacial. Ela começa na escolha das palavras, no olhar atento e na capacidade de se colocar no lugar do outro.
Não entregamos apenas imagens para laudo. Entregamos acolhimento no momento em que o paciente mais precisa.
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